Mistral levanta US$ 3,5B com Samsung e já vale US$ 24B
A startup francesa de inteligência artificial Mistral AI levantou € 3 bilhões (cerca de US$ 3,5 bilhões) em uma Série D liderada pela Samsung Electronics – montante que a companhia classificou como a maior rodada de equity já realizada por uma empresa privada de tecnologia na Europa. Com a captação, a empresa elevou seu valuation para mais de € 21 bilhões (aproximadamente US$ 24 bilhões).
Além da Samsung, participaram da rodada o Scaleup Europe Fund, administrado pela EQT e apoiado pela União Europeia, e a PSG Equity, investidora já existente e uma das co-líderes do aporte. Advent, fundos e contas administrados pela BlackRock e o Grão-Ducado de Luxemburgo entraram como novos investidores. Entre os investidores que acompanharam a rodada estão ASML, Nvidia, a16z, Bpifrance, BNP Paribas, Salesforce Ventures e General Catalyst.
O novo aporte praticamente dobra o valuation da companhia, que havia sido avaliada em € 11,7 bilhões em 2025, após uma Série C de € 1,7 bilhão liderada pela fabricante de equipamentos para semicondutores ASML.
Fundada em 2023, a Mistral se tornou uma das principais apostas europeias para disputar o mercado global de IA, dominado por empresas norte-americanas como OpenAI e Anthropic, além de chinesas como a DeepSeek.
No início do ano, o CEO e co-fundador da companhia, Arthur Mensch, chegou a dizer em entrevista a um podcast que o maior diferencial competitivo da Mistral era justamente “não ser americana”.
Aposta em IA aberta e soberana
O novo capital será destinado principalmente à expansão da capacidade computacional da Mistral, ao treinamento de modelos mais avançados e à pesquisa de fronteira, ou frontier AI. A companhia também pretende ampliar sua infraestrutura e presença comercial internacional.
A estratégia da Mistral se diferencia da adotada por boa parte das grandes empresas norte-americanas ao apostar em modelos de pesos abertos (open-weight). Na prática, isso permite que empresas e governos baixem os modelos, adaptem a tecnologia e a executem em sua própria infraestrutura, com maior controle sobre dados e aplicações.
A empresa vem posicionando essa abordagem como uma alternativa de “IA soberana”, especialmente relevante para organizações que não querem ficar dependentes da infraestrutura, dos preços ou dos modelos de um único fornecedor. A Mistral afirma que sua estratégia cobre toda a cadeia, dos modelos à infraestrutura e capacidade computacional necessária para executá-los.
“Durante a primeira onda da inteligência artificial generativa, a questão central era quem conseguiria construir o modelo mais poderoso. Agora, organizações e governos estão fazendo uma pergunta diferente: como aproveitar o poder da IA para suas necessidades críticas sem abrir mão do controle sobre a infraestrutura e o ciclo de inteligência”, aponta a companhia em comunicado enviado ao mercado.
Apesar do avanço, a diferença de escala para os rivais americanos ainda é significativa. A Anthropic foi recentemente avaliada em cerca de US$ 965 bilhões, enquanto a OpenAI alcançou valuation de aproximadamente US$ 852 bilhões.
A Mistral, porém, parece estar disposta a acirrar a disputa. A empresa afirma ter mais de 125 clientes corporativos em 20 países, incluindo Airbus, ASML e HSBC. O CFO Johan Bergqvist disse à Reuters que a companhia está a caminho de alcançar US$ 1 bilhão em receita recorrente anual (ARR) até o fim de 2026, com crescimento especialmente forte na Ásia e na América do Norte.
A expansão internacional também acompanha investimentos pesados em infraestrutura. A companhia vem ampliando sua capacidade de data centers e computação na Europa, enquanto mantém uma parceria com a Microsoft para ampliar o acesso a infraestrutura computacional no continente.
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Matéria produzida com curadoria editorial assistida por IA, a partir de pauta de startups.com.br.